Sábado, 19 de maio de 2012, lá estava eu na estrada da laranja a caminho da cidade dos Dinossauros.
Atrasado, Feira do Livro, palestra em andamento, na platéia seis almas penadas, um saci e uma mula sem cabeça.
O escritor me olha e dispara “- Estava esperando por você!”
Surpreso, mezzo mussarela, mezzo calabresa, me desculpo pelo atraso. Ele esclarece que não tem problema:
- Conheço todos os leitores amigos do Orkut, não são muitos. – e dá uma risada .
A palestra segue com um bate papo informal entre eu e ele. Era o único que conhecia a sua obra com afinco.
Fim da palestra. Fui pedir uma dedicatória no livro “Charque” e fazer a tradicional selfie. A galera da organização da Feira nos chama para um café. M.M. diz que prefere um bar.
Depois de muitas cervejas, ele me fala:
- Só estou aqui porque o cachê é bom, não costumo receber esses convites, já briguei com todo o cercadinho do mundo literário, queria mesmo era estar com uma mulher que sai ontem, não consigo esquecê-la. Ela nua de quatro, com o rosto virado para trás e um olhar libidinoso que nunca vi igual. Estou obcecado . Vou escrever um conto ou um romance sobre ela. - E você o que faz da vida?
- Sou advogado, atuo na área trabalhista, mulher, filho, quanto a escrever tenho pretensões, escrevo alguns contos, crônicas, tenho um blog de literatura, mas nunca publiquei.
- Esquece, desista, só escrevo pois não sei fazer mais nada, admiro quem tem um ofício prático. Vai advogar, curtir a vida, sua mulher, seu filho, tomar cerveja, fazer churrasco, apreciar um espeto corrido, sol, churros, basta um verniz para ser feliz.
Lembrei-me da conhecida frase do próprio M.M. :“ser escritor é uma profissão para quem gosta de brigar consigo mesmo”
Bêbados terminamos a noite, num bordel, nos arredores de Jaboticabal.