quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

Pedro Juan Gutiérrez - livro - Fabián e o Caos

 



Depois de muito tempo volto a ler uma obra do Pedro Juan Gutierrez, autor cubano que gosto muito.

  Nos idos de 2000 li várias obras dele dentre elas “O Rei de Havana”, “Trilogia Suja de Cuba” , “Nosso GG em Havana” “O ninho da Serpente” e “Animal Tropical”.

  Após mais ou menos 15 anos saiu aqui no Brasil esse novo romance dele  que só estou lendo agora com defasagem de alguns anos. Confesso que me surpreendeu como sempre. A potência narrativa da escrita realista e crua do Pedro Juan, agora com 75 anos de idade continua firme como nunca. Deve ter escrito esse livro na faixa dos 65 anos.

  Temos a historia de Fabián mas ao mesmo tempo a história do próprio narrador Pedro Juan que se entrelaçam numa crítica aguçada, não ao imperialismo americano ou mesmo ao sistema comunista de Cuba, mas contra toda forma de opressão que o poder político impõe às pessoas. O escritor ao que tudo indica é um anarquista.  São pessoas cambaleantes, talentosas que tem os seus talentos influenciados e ofuscados pelos interesses políticos, pelo preconceito sob a falsa premissa de buscar um bem maior e coletivo. É a  tirania que esconde muita coisa e que destrói sonhos e vidas. Nesse cenário nossos dois personagens fazem o que podem para dar um sentido e buscar um alento em nossa breve passagem pelo mundo. Bem atual hein?

  Livro muito triste com um final de arrepiar, ainda mais quando acabei de ler o livro meia noite e meia e o silêncio imperava na minha sala vazia e sem ninguém pra conversar. Quase liguei para o CVV.

  Segue um trechinho do livro só para ilustrar; (quando o protagonista Pedro Juan relata um perigoso período de um ano de tratamento com um psicólogo/sacerdote católico/freudiano) : 

“Quando eu descia até essas zonas infernais, era muito difícil voltar a superfície e a luz. Ficava perdido e não encontrava o caminho de volta. Cada vez mais para baixo. Uma descida ao inferno. Águas negras, medo e falta de oxigênio. Saia apavorado e tremendo. E quase asfixiado, porque nesses lugares a falta de ar me sufocava. Passava alguns dias me sentindo muito mal. O remédio foi pior que a doença. Aquilo não levava a lugar nenhum. Quer dizer, levava sim, a um lugar certo; se continuasse, sem dúvida ia acabar num manicômio com a máquina de eletrochoque fritando o meu cérebro.

  Resta saber quando  vão lançar os novos livros dele aqui no Brasil com tradução. Já estou esperando. Será que arrisco ler um livro no idioma espanhol??? Buenas ainda falta o livro de contos já lançado aqui "O insaciável Homem-aranha". Vamos com calma.


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