ALGUMAS
MULHERES QUE “NÃO COMI” E OUTRAS
MISÉRIAS
“Há poesia
Na
flor
Na
dor
No
beija-flor
No
elevador”
(Oswald de Andrade)
INTRODUÇÃO (de leve)
Como
ter inspiração e escrever um estória de
amor aqui nessa cidade alcoólica e cheia de fuligem ao som desse ar
condicionado que não limpo a vinte anos quando só me ocorrem estórias
frustradas de desamor e tesão reprimido da minha terrível adolescência?
Então resolvi compartilhar algumas
dessas misérias para economizar com o analista.
Peço
desde já as devidas desculpas para os/as mais sensíveis; é que infelizmente na época dessas estórias a
classificação era primitiva mesmo: comi
, não comi. E na inexistência do computador pessoal e das planilhas do
excel, era tudo anotado com caneta bic
e contabilizado num caderno faber castell.
É isso mesmo...sempre fui um romântico incorrigível e saudosista como dá para
perceber.
Saliento
que isso é uma obra de autoficção portanto:
·
os nomes e
situações aqui citados(as) são quase fictícios(as)
– qualquer semelhança é mera
coincidência ou quase.
·
Não se trata de
uma livre autobiografia ou quase
·
Enfim é uma
tremenda de uma mentira deslavada ou
quase.
1) MARIELA
Nasci
em Ribeirão Preto, no interior paulista, região que não se confunde com o sul
de minas. Portanto a primeira mulher que não comi não é uma cabritinha
ardente e fogosa chamada Mariela que foi
para a churrasqueira ainda cedo. Não....
Mariela
era uma delícia da espécie humana;
morena cabelos compridos, seios começando a pipocar no resplandecer de
seus 10 aninhos estudando na 4ª. série
“E” do Colégio de freiras onde
estudávamos. De uma das famílias mais tradicionais da minha cidade.
Bastava
vê-la para eu ter uma ereção involuntária sem saber do que se tratava já que
também tinha 10 anos e o sexo era um assunto inexistente na minha casa. E acho
que sequer eu ligava para isso já que só pensava em bola, figurinhas, pipa, “bets”, bombas em latas, explosões em
privadas da escola... e nas minhas ereções involuntárias quando via Mariela sem
saber do que se tratava – portanto não era um problema já que segundo Lao Tse “Quem ignora a sua ignorância vive na mais profunda ilusão". E
era uma ilusão boa, salutar nascida da inocência que posteriormente e
fatalmente viria a perder.
Dentro
desta minha ilusão e ignorância comecei a procurar paradigmas nas novelas de
televisão e maneiras de me aproximar da minha primeira musa da infância que mal
me conhecia e sequer sonhava com as minhas ereções involuntárias apesar de ser
minha vizinha de rua e ter uns pais bem sacanas e liberais, o que vim a saber
muitos anos depois quando comi a sua mãe. Acho que ela nunca tinha beijado
ninguém na boca. Eu só beijava a minha irmã mais velha mas isso não conta já
que era só treino, sem qualquer envolvimento emocional. Beijo técnico. Beijava
também a minha cadela “Nina” mas isso é algo nojento que gostaria sinceramente
de esquecer.
Era
o ano de 1979, Figueiredo cavalgava suas potrancas e soltava frases de efeito: "Prefiro o
cheiro do estrume de cavalo do que o cheiro do povo". E eu naquele impasse romântico amoroso
involuntário. O que fazer?
Após assistir a novela Cabocla
e ouvir aquela música do Wando “gosto de maçã” que dizia: “Nas mãos uma rosa vermelha na boca um gosto
de maçã” a brilhante idéia pipocou, de súbito em minha cabeça – como os
peitinhos de Mariela – Como bom ariano impulsivo, com uma rosa na mão, andei os
100 metros
que separavam a minha casa da dela e toquei
a campainha. A distância me pareceu quilômetros. A casa dela um palacete
maior do que era. Parecia que tinha subido no pé de feijão e me deparado com o
Castelo do Gigante. Seu pai abriu a porta.(cara de mau) – Pois não? Como diria
o Wando o “coração agitava no peito... no ventre a vontade explodia” e eu
disse – A Mari está? Para minha alegria ou desespero ela estava. – Vou chamar
espera aí? Ela apareceu descalça com um shortinho delicioso e uma camiseta do Mickey Mouse. Podia ver aquela penugem
dourada nos seus braços finos, sua boca carnuda, seus olhos de mel olhando para
mim sem compreender o que eu estava fazendo lá parado na sua frente.
Automaticamente lhe entreguei a rosa vermelha, mais vermelha que meu rosto
tímido e sem sequer beijar seu rosto fui logo disparando – q.. q.. que..quer
namorar comigo! E então por um tempo que me pareceu uma eternidade esperei
a resposta sinceramente me colocando no lugar da garotinha e esperando um
sonoro NÃO. Foi quando a surpresa me
presenteou. A menina reticente disse – Não...sei..vou
pensar. – Então tá! – Tá – Tchau. Te vejo na escola – e virei às costas.
Ocorre que como bom ariano impulsivo, os impulsos vem...os
impulsos vão...e eu não esperava aquela situação em aberto, suspensa no ar, sem
uma definição. Era bem melhor ter recebido um NÃO! ou VAI TOMAR NO CÚ! (o que
de certo seria ótimo, salutar e merecido). Mas não. Ela foi sacana ao extremo e
prolongou todo o ridículo da situação. E depois de uma noite mal dormida a
ficha caiu. Tudo aquilo era
ridículo...muito ridículo. Ela era a menina mais popular e bonitinha da escola e eu não passava de um garoto que
imitava os rebolados do John Travolta
em “Os Embalos de Sábado a Noite”
para ganhar alguns prêmios simbólicos em concursos de dança e uma certa
popularidade. Ela usava roupas de grife e eu tinha uma santa mãe que bordava
grifes em minhas roupas. Depois disso a timidez me entorpeceu e dominou meu ser.
Passei o resto da minha 4ª., 5ª. e 6as. séries me escondendo da garota,
retardando a minha descida de escada nos horários de pico, sonhando em nunca
ter tido a brilhante e impulsiva idéia de ir na sua mansão naquele dia. Enfim,
nem preciso dizer que a resposta nunca veio e espero-a até hoje e que nos meus 10
aninhos descobri de forma dura e cruel o
que significa o desprezo absoluto. Como vingança e conforme já narrado acima
comi a sua mãe sacana que por
coincidência 7 anos depois era da minha turma de francês na Aliança Francesa da Rua Lafaiete e
adorava um garotão...e adorava trair o seu marido que certamente também adorava
traí-la. Com a coroa enxuta foi tudo mais fácil! No final da aula de francês eu
disse! – Vous avec couche avec moi???
E ela respondeu – oui!!!!!!ulalá!!!!
sorrindo sacanamente. Fomos no seu carro
para o Motel Manhatam e eu
tive a grata felicidade de comê-la por inteiro e várias vezes. Tinha uma bunda
maravilhosa!!!! Na saída ela pagou a conta e me deixou a 100 metros de minha
casa. Foi uma caminhada leve e agradável. Lembrei-me de Grahan Greene “A vingança é salutar ao caráter; dela brota o perdão." Também depois daquela trepada eu perdoava até
mesmo Adolf Hitler; até mesmo Fernando Collor que tempos depois confiscou minha poupança. Bem
menor do que a poupança da mãe da Mariela, diga-se, em todos os sentidos;
2) JOANINHA
Joaninha era minha prima de 5º. Grau. Loirinha, olhos verdes, peituda,
baixinha e invocada como Mike Tyson. Se lhe dessem oportunidade em uma briga
arrancaria a orelha de seu oponente. Um Pity
Bul ensandecido. Nunca vi mulher igual. Na 7ª. série no ano de 1982 pela
primeira vez os meus trejeitos do John
Travolta surtiram efeito e ela se apaixonou por mim. E eu por ela. Ficamos
abraçadinhos na Danceteria Sunshine.
Dois baixinhos de olhos claros, rostinho de criança, 13 aninhos andando de mãos
dadas pelos casamentos dos parentes que olhavam e achavam graça e em decorrência quase apanhavam da Joaninha.
Lembro-me de um dia dos namorados. Com muito custo e com uma grana emprestada
da minha santa mãe fui na Kopenhaguen da
Rua Barão do Amazonas e comprei uma
caixa média de bonbons Gianduia. E ela me deu o mesmo presente – uma
caixa média de bombons Gianduia.(quase comprei a caixa pequena para
economizar). Aprendi com a Joaninha também que uma homem não deve ser covarde.
Os caras davam em cima dela na minha
frente e eu nada fazia. Um rapagão imbecil (maior do que Eu) um dia numa festa
chegou a me perguntar se eu não “emprestava”
a Joaninha para ele namorar e eu nada fiz, ou melhor, disse titubeante que ela não era um objeto e que ela ficava com
quem ela quisesse e no momento ela me queria e coisa e tal...e quando ela veio
a saber da pergunta indecorosa(eu lhe contei!) foi lá e fez o que eu deveria e
tinha a obrigação de fazer e não fiz. – Deu-lhe um chute no saco e deixou-o
chorando e agonizando na presença de todos os seus outros amigos. Fantástica a
Joaninha. Mas a minha timidez oriunda talvez do incidente “Mariela”, me levou a
um namoro de apenas quatro meses onde eu
pegava a minha Caloi 10 amarela ia até a sua casa, sentava na escada em frente
e ficava batendo papos artificiais e comendo Gianduia. Nada NADA – quatro meses de namoro sem um beijo sequer.
Gostaria muito de ter comido a Joaninha
ou ao menos um beijo de recordação mas a
timidez a covardia e o desprezo anterior me sufocaram totalmente. E o engraçado
é que os caras das gangues rivais
invocavam comigo. Me achavam o máximo e
eu era o alvo de convocações diárias para brigas na saída da Sunshine que burramente declinava. Deveria ter
conhecido Hemingway mais cedo e
incorporado a sua “macheza”. Mas não. Muito pelo contrário o Brasil com um time
fantástico de Futebol, Sócrates, Zico,
Falcão e outros conseguiu perder a Copa do Mundo naquele ano. E eu por
conseqüência perdi para sempre a coragem
e a Joaninha. Tempos depois eu fui para São Paulo prestar vestibular e tentei
encontrá-la. Sabia que trabalhava como
frentista num posto na Brigadeiro Luis Antônio e morava com um cara horroroso
grosseirão que veio abrir a porta de sua kitinete
enrolado numa toalha. Cheiro de maconha no ar. Perguntei se era a casa da ...Júlia.
– Não maluco! – virei às costas e fui embora. Depois de um tempo fiquei sabendo
que ela casou , separou, teve filhos....Um dia nos encontramos numa festa
estilo “flash back” na Sociedade Recreativa e de Esportes.
Sem perceber que eu estava com minha esposa do lado veio e me deu um abraço
forte, muito forte como nunca antes, com
muito carinho. Deveria ter lhe lascado um beijo na boca, de língua, molhado.
Afinal Hemingway já fazia parte da
minha vida. Mas minha urbanidade e pânico ressurgiu das catacumbas. Sem graça
lhe apresentei minha esposa e educadamente, estranhamente e evasivamente saí para ver o Show do Rod/Hanna, sob o olhar desconfiado da minha companheira. Chegando
em casa eu lhe contei toda esta história
– Nem um beijo sequer, acredite!!!!. E ela não acreditou. Fazer o quê! O Brasil
perdeu a Copa de 82 e eu também não acredito até hoje.
3) ECLAIR
Essa
eu comi. Sei que vc deve estar pensando – o que essa garota está fazendo num
conto sobre algumas das mulheres que NÃO comi. Sei lá! É que deu
vontade de falar da Eclair; com certeza
na minha construção psicológica ou inconsciente deve ter alguma importância. Ou
melhor – para justificar sua inclusão eu a comi uma única vez ou uma
meia-vez e portanto pode estar aqui já
que não comi pela segunda e tenho vontade até hoje de dar a segunda. Se é que
vocês me entendem.(???) Eclair era morena tinha uns traços indígenas, bocas
carnudas e sensuais(as duas); Magra, muito magra, magérrima com uns peitos que
pareciam pipoca de microondas. Sua bunda parecia uma tábua de passar roupa com a textura daquela almofadinha azul e tinha
um jeito mole de falar que me fascinava. Em contraste com a dureza de meu pênis
quando ouvia a sua voz de arraia mortífera. Conheci a figura sui generis e gostosa na casa do “Birigui”. Um amigo mais velho que morava na República “A transmutação das virgens”; Nome
pomposo e de mal gosto(mas muito apropriado). Era comum entrarmos na sala sem
bater e encontrar o Birigui batendo
uma punheta ou comendo uma menina de quatro no sofá ou mesmo na piscina com uma
mina fazendo boquete e quase morrendo
afogada. República de rico com piscina, uísque e coquetéis diversos. Um dia lá
estava a Eclair, melhor amiga da namoradinha do Birigui. O ano era 1984, minha diversão se resumia em andar de fusca azul com meu amigo Dunha e ir de “bicão” em festas descoladas para descolar bebida gratuita. Já ia em
puteiros com freqüência. E com freqüência era barrado por causa da minha
carinha de criança carente e mimada.
Pois
bem. Obrigados ao Agildo Ribeiro e sua múmia paralítica. Trimmmm. Saudades da
Bruna Lombardi.
Ela de cara gostou dos meus olhos verdes.
Esmeraldas responsáveis por muitas trepadas(obrigado vovó!). Com sua voz
molenga me disse. – Onndee voocêe dessscolooou essess olhosss verrdess? –
Herança de vovó! (meu Deus como eu era babaca!) Mas por incrível que pareça ela
sorriu e o papo foi tomando rumos concretos a lá Haroldo de Campos e que acabaram concretizando uma ida ao Motel Manhattan (lembra?) Era o mais barato na
época – e dentro da cidade !! que evitava a necessidade de carro. Fomos de táxi!
Cruzes que horror! Chegando lá fomos para o quarto mais barato e Eclair foi
desnudando sem pudores aquela tábua magérrima com seus bicos entumescidos e
lábios carnudos(os dois). Eu logo fiquei pelado com o instrumento em riste. Que aliás já estava
em riste na casa do Birigui, no táxi, na recepção e agora no quarto. – Ceeee
teeeemmmm caaamiissinha? – Tenho ta aqui ó!. Com um lance profissional
parafusou a dita cuja na boca e vestiu concomitantemente o meu instrumento
enquanto fazia um delicioso boquete.
Mulher de classe. Muita classe, diria até classuda
e boqueteira profissional. Ahh Eclair,
quanta alegria para uma garotinho carente e mimado de apenas 16 aninhos....
Eclair foi a primeira mulher que me ensinou a fazer as coisas bem feito sem
pressa com profissionalismo e competência. Mas tudo que é bom dura pouco. A
camisinha explodiu. Minha Hiroshima
sem meu amor. Cogumelo atômico. E no exato momento lancei toda a minha carga
radioativa por dentro dos lábios carnudos das regiões baixas daquela floresta
oriental.
Acordei
do pesadelo atômico de ressaca moral. – Vou virar papai!
Duas
semanas de férias no Guarujá em crise
existencial com o cú na mão. Depois
de dois meses liguei pra ela. - E aí tudo bem? - Nossa quanto tempo? - Como
está sua saúde? - TEM MENSTRUADO ULTIMAMENTE? – Sim claro! Bobinho. Ahhh!!!!
que bobinho delicioso. Desliguei o telefone. A vida voltava ao normal. Passemos
para outra, prometo que é a última.
4)
ANDRESSA DA “SUNSHINE”;
Andressinha
, tatuagem e peitos de ouro. 1985. Que peitos. Nunca vi coisa igual e meu amigo
Magalhães também não. Encostava nos muros nas paredes e ficava beijando e me
esfregando naqueles peitões até ejacular na calça. Depois chegava em casa todo
molhado, suado e dizia para a lavadeira que tinha caído água de coco na calça. Mas eu era um duro em
todos os sentidos. Não tinha grana para nada, para motel, não tinha carro e só
ia na “Sunshine” porque era de graça
e perto da minha casa. Ela tinha umas pintinhas sexys por todo corpo que tornavam o conjunto mais interessante
ainda. Brotoejas. E nada mais acontecia; foi o meu período de esfoliação de
esfregação ao som do The Cure e do Smiths. Titãs e seus “bichos escrotos”.
Eu era a encarnação do bicho escroto dos Titãs. Um coelhinho branco, peludo e enraivecido. Depois de um tempo a Andressinha percebeu
a canoa furada que tinha embarcado e me deixou lá... ao lado daquela quadra de
tênis, olhando para minha raquete e minhas duas bolas desolado. Começou a
namorar um punk drogado vocalista de
uma banda “hardcore” e caiu na vida
sem para-quedas. Parou de ir na “Sunshine”
e começou a freqüentar um bar “roquenrou”
na Avenida Treze de Maio. Ficou
louca, clínicas de tratamento e o escambau a quatro. Outro dia encontrei o
Magalhães. –Onde anda a Andressinha? Perguntei. Ele também não sabia. Mas como
gostaria de saber; E terminar o serviço que mal comecei. O Magalhães também. Já
rodei todos os sites de relacionamento e
nada. Sequer sei seu sobrenome. Ai vai meu apelo: Andressinha – Onde quer que você e seus
peitões estejam. - Voltem para mim!
5)
CASSANDRA RIOS – A MUSA
Lembra
lá acima quando falei que era a última? Pois bem eu menti aliás como venho
mentindo desde a primeira linha desse conto de amor às avessas. É que não
poderia deixar de fora a musa, aquela que povoou minha imaginação, meus sonhos
em banheiros, bordéis baratos e quartinhos de empregadas. CASSANDRA RIOS, a
virgem dos lábios de mel...... Na década de 80 me acompanhou por vários anos no
colégio onde tive a oportunidade de contracenar com ela em uma peça de teatro
no início da minha vida artística. O tema da peça era a evolução das escolas
literárias no Brasil. Eu era José de Alencar e declamava com todo o meu
romantismo o texto do livro homônimo, ela uma Iracema linda... tão linda quanto
a Helena Ramos, gostosa como a Matilde Mastrangi. Insinuava-se com um biquíni minúsculo atrás de um pano
iluminado, teatro de sombras, para o deleite da platéia que curtia sua silhueta
enorme e suas curvas para lá de
sinuosas. Eu no entanto devido a
posição no palco tinha uma visão dupla – a sombra em frente ao palco e ela
linda em carne viva, a cores e em três dimensões dançando atrás do palco só
para mim. Um sonho shakesperiano numa
noite de verão. Uma apoteose. Ahhhhh!!!!!! Tempos depois fomos conhecer Ouro Preto em uma excursão escolar e
inspirado por José da Silva Xavier o Tiradentes tentei beijá-la sem êxito
ficando com meu coração esquartejado. Ela era daquelas provocadoras contumazes
que pulam fora. Uma grande atriz de muito talento, capaz de encarnar uma santa
e uma biscate ao mesmo tempo. Por falar em tempo... avançando nele já na
Faculdade tentei várias vezes....fomos no teatro
municipal ver uma peça com a Malu
Mader e o Taumaturgo Ferreira “Dores de amores” e após o espetáculo
nada novamente. Fiquei só mais uma vez com as minhas constantes dores dos
amores não correspondidos da adolescência. Recentemente ela me procurou, marcou
horário. Contente e muito bem
intencionado a recebi no meu escritório, passei o meu melhor perfume, penteei
meus parcos cabelos, desmarquei os clientes do dia. Nada feito. Só queria me
vender uma rifa para ajudar crianças carentes. Que horror!!!! Comprei
contrariado. Sinceramente acho que ela, como boa atriz que é, joga no time da Greta Garbo “-I want to be alone”. Desisto!
E vivas ao Grahan Greene outra vez! (risos)
EPÍLOGO (orgasmo)
Dentre
essas e outras e mais algumas aí vai um relato quase-sincero de algumas das minhas banalidades mundanas dessa
época terrível de insegurança, incertezas, calor infernal, mulheres peitudas
(sem silicone) e muita punheta. Espero que tenha servido para desmistificar
e mostrar o quanto a minha adolescência
foi comum e a sua também. Amém.


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